O nada

October 8th, 2010 § Leave a Comment

que é tudo…

(um post dedicado)

louco

August 30th, 2010 § 1 Comment

às vezes devia ser bom ser louco. correr com os braços esticados para o lado e direito a um precipicio para levantar voo. sentar-me num canto escuro do fundo do mar escondido a ouvir barulho nenhum. deitar-me no chão no meio de uma floresta e ficar a olhar as estrelas no céu por uma nesga nos ramos de árvores. o que eu não dava para ser louco e poder sentir que não há antes nem há depois…

psicopata

August 28th, 2010 § Leave a Comment

Às vezes, devia ser bom fingir que sou um psicopata. Sair à rua a cantar aos gritos a letra da música que toca no ipod, pegar nos homens maiores que eu pelos colarinhos, piscar o olho a todas as mulheres bonitas e persegui-las passeio fora. Passar uma noite à pesca com a ajuda de pirilampos mágicos e assustar as pombas que descansam no meio de uma praça. Melhor ainda devia ser chegar a casa e pendurar um livro no estendal da roupa, sentar-me no sofá a comer pipocas doces e salgadas, às mãos cheias, com a televisão desligada e no intervalo pegar no telemóvel e escrever uma mensagem a cada uma das pessoas da lista a dizer o que acho delas. Também devia ser bom ir para o trabalho de fato e gravata e em segredo mudar o título do artigo do chefe. E depois disto tudo sair jantar para uma esplanada sozinho, mas falar como se tivesse companhia, e sem virar a cabeça, de olhos postos no mar…

este texto vai desaparecer num dia em que esteja mais ajuizado

Being Tracey Emin

August 24th, 2010 § Leave a Comment

Until she became famous, Tracey Emin slept with Billy Childish, Roberto Navikas, Carl Freedman, Frank Berbee, Marta Tanton, Tracy Horn, Lucey Baxter and many others. “Some I’d had a shag with in bed or against a wall. Some I had just slept with, like my grandma”.

She then pasted the names of all her lovers (and her two aborted children) on the inside walls of a tent and called her work Everyone I Slept With 1963-1995. And the day it was first exhibited was the same day Britain was introduced to its most controversial contemporary artist.

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O ‘fantasma liberal’

August 12th, 2010 § Leave a Comment

Há um mês, num discurso em que enunciou as suas ideias para reformar o estado social, na universidade de verão do Partido Popular espanhol, Passos Coelho fez uma inesperada pergunta retórica: “Mas é possível ganhar eleições a dizer isto?” Segundos depois, o próprio deu a resposta: “Vale a pena tentar”.

A história de final aberto dá uma ideia da estratégia que o sucessor de Manuela Ferreira Leite desenhou para partir à conquista do poder. « Read the rest of this entry »

O dia em que a Nossa Senhora apareceu pela esquerda

May 8th, 2010 § Leave a Comment

Um professor da universidade ensinou-me um dia que mesmo para um homem que não nega Deus está bem de ver que Nossa Senhora quando lhe dá para descer à Terra e aparecer fá-lo quase sempre pela direita.

Manuel Canaveira, historiador e agnóstico, não se alongou mais do que isso, mas ficou claro que a direita de que falava era a politica, conservadora e reaccionária, e a Nossa Senhora, para começar era a de Fátima, mas talvez pudesse ser a de Garabandal e a de Lourdes também. Afinal, a virgem é sempre a mesma…

Acreditam os católicos que a Nossa Senhora de Fátima, ou do Rosário para ser mais preciso, surgiu por seis vezes diante de três jovens pastorinhos, Lúcia, Francisco e Jacinta, entre Maio e Outubro de 1917. O milagre aconteceu em Cova de Iria, uma aldeia de Ourém. A mais de cem quilómetros dali, em Lisboa, adensavam-se as conspirações contra o Governo de Afonso Costa.

De todas as figuras da Primeira República, não havia outra que o clero odiasse tanto quanto Afonso Costa. O republicano foi autor da lei de separação de Igreja e do Estado que, entre outras coisas, lhe valeu a alcunha de “mata-frades”.

A maior dor de cabeça de Afonso Costa, no seu terceiro Governo, era o massacre do Corpo Expedicionário Português enviado para a Flandres, para mostrar presença, na Primeira Guerra Mundial. A oposição republicana e os ataques da Igreja eram uma condição de vida na época. Mas a aparição da Nossa Senhora agravou mais as coisas.

Tanto assim foi que em Dezembro, Afonso Costa caiu num golpe militar, e com ele caiu a República à qual  chamar Velha. À cabeça da insurreição estava Sidónio Pais, que ficou conhecido como o Presidente-Rei, e fundou uma República Nova. Para que se perceba como este novo regime era de direita, basta dizer que foi como que um ensaio do Estado Novo.

A história prova como Canaveira era louco, mas não tinha nada de parvo.

Mas bastou vir José Sócrates, que nem engenheiro quanto mais históriador, para, com um golpe de esquerda, me deixar num oceano de dúvidas e incertezas. Por causa da visita do Papa, o primeiro-ministro socialista decidiu dar folga aos funcionários públicos no aniversário da aparição da virgem.

O facto de ter acabado de mandar o maior trambolhão em cinco anos nas sondagens só pode ser coincidência. Mas é por causa disso que hoje eu digo: mesmo para um homem que acredite em Sócrates está bem de ver que, desta vez, enganaram a Nossa Senhora para ela aparecer pela esquerda.

Arrifana

May 5th, 2010 § Leave a Comment

Pode-se partir em busca da Arrifana seguindo as pistas de uma adivinha escrita num papel rasgado: uma baia em forma de concha que deixou um mouro a escrever versos, ali onde o Alentejo acaba e o Algarve começa.

Já lá vai o tempo em que aquela praia a cinco minutos de Aljezur merecia o estatuto de pequeno segredo. Mas quem chega ao cimo da encosta escarpada de pedras negras continua a perder o fôlego com a praia estreia e selvagem, no fundo do precipício que se desce por uma estrada de curvas empedradas.Talvez melhor vista que essa, tem-se das ruínas da fortaleza onde um príncipe muçulmano, vindo de Silves, encontrou refúgio para se dedicar à escrita no século XII.

No Inverno, a Arrifana mantém aquela magia sossegada dos lugares de contemplação. No Verão, mesmo que longe do reboliço algarvio, é ponto de encontro de jovens e estrangeiros que vêm atrás das ondas que rasgam o azul da enseada. Diz-se que o príncipe Harry de Inglaterra veio para ali aprender a surfar. Se é mentira, pouco interessa. O mito ficou.

Jamais jamais

April 29th, 2010 § Leave a Comment

Jamais Jamais é uma doença comunus do ministro socrático.  O vírus afecta toda a família do Governo, mas é particularmente duro quando atinge os engenheiros de Transportes e Obras Públicas, esses visionários do betão armado.

Talvez pela sua maneira de estar na vida – um partidário do lema pão pão queijo queijo – Mário Lino tenha sido o ministro em quem os sintomas desta patologia melhor se deram a ver. Há uns poucos anos, quando mais de meio Portugal tinha percebido que os terrenos da Ota serviam para tudo menos para forrar a alcatrão e ali fazer aterrar aviões, esse velho simpático disparou, de indicador virado para os céus, que aeroporto na margem sul, “jamais jamais”. (Ainda hoje me pergunto o que lhe deu para falar francês.)

António Mendonça, sucessor de Lino ao leme das Obras Públicas, é engenheiro de sandes mista, portanto mais comedido nas palavras. Mas bastaram seis ou sete meses para sofrer do efeito de contágio. « Read the rest of this entry »

Winston Churchill: Um racista do seu tempo

April 28th, 2010 § Leave a Comment

Se fosse vivo Sir Winston Churchil teria hoje 135 anos. Deus lhe desse saúde e passaria os dias entre acesas discussões em Westminster e o seu quarto,em frente a Hyde Park, a escrever. Seria o mesmo gentleman de sempre, chapéu de coco e relógio de bolso para dar conta do tempo. Apesar desta fleumática certeza, “se Churchill fosse vivo” são palavras que têm dado que pensar aos britânicos.

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O último matador

April 28th, 2010 § Leave a Comment

Da primeira vez que matou um bezerro na plaza, Jairo Miguel Sanchez tinha nove anos e ia abençoado pelo seu pai e encomendado a dom Manuel, o Santo dos Ciganos. Foi a 7 de Outubro de 2002, uma segunda-feira, em Alcuescas, como se lê no poster da corrida de touros que está pendurado à entrada da casa do matador mais jovem que a Espanha alguma vez conheceu.

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